Archive for the ‘Música’ Category

Hearing Like a Dog

15 julho 2009

Você descobre que exagerou na compra de um simples headfone para colocar no ouvido e escutar na rua quando, após pesquisar durante horas, procurar em todos os sites, encomendar de um cara de Blumenal, esperar 4 dias para receber e pagar uma grana, mesmo não sabendo diferenciar um mp3 de 92kbps de um de 312 ou um trompete de um trombone, quando, enfim, o vendedor, feliz da vida, te responde “obrigado pela compra! quando precisar de outros equipamentos de dj, estamos aí!”.

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Clássicos da Música Pop(ular) – pt.1

14 julho 2009

Alguém já reparou que o clássico berlinense Sound and Vision, do Bowie, e o clássico sertanejo Magia e Mistério (a.k.a “Caso Sério” ou “Eu Falo Sério”), de João Bosco e Vinicius, ou Guilherme e Santiago, ou César Menotti e Fabiano, que bombou nas rádios brasileiras há um par de anos, são a mesma música?

Gênios são gênios em qualquer lugar do planeta.

Abaixo, a prova dos nove, para quem não conhece um, ou não conhece outro:

ps: se eu tivesse uma dupla sertaneja, duvido que pensasse em um nome melhor que João Bosco e Vinicius.

Brasília

7 julho 2009

(Já que não tenho o que escrever, deixo a palavra pros gênios…)

Quase que ando sozinho por todos os bares
Freqüento lugares, namoro suas filhas, Brasília
E posso dizer que começo a voar
Sossegado em seu avião
E mesmo com o ar desse jeito tão seco
Consigo cantar no seu chão

Quase que me sinto em casa em meio a suas asas
E “dáblius” e “eles” e eixos e ilhas, Brasília
Cidade que um dia eu falei que era fria
Sem alma, nem era Brasil
Que não se tomava café numa esquina
Num papo com quem nunca viu

Sei que preciso aprender
Quero viver pra saber
E conhecer Brasília

Ver o que há, Paranoá
Lago de sol, noite, lua
O olho do amor desconhece a armadilha
Assim vim ver Brasília

Quase que me sinto bem distraído em suas quadras
Tão bem arrumadas com suas quadrilhas, Brasília
Concreto plantado no asfalto do alto
O céu do planalto onde estou
Aqui na cidade dos planos
Conheço um cigano que não se enganou

Sei que preciso aprender
Quero viver pra saber
E conhecer Brasília

(Sérgio Sampaio/ Brasília)

IMPIYERNO: Songs From & Inspired By The Cinema Of Lav Diaz

4 junho 2009

As grandes canções filipinas sempre batem forte em meu peito, principalmente quando filmadas pelo grande Khavn de la Cruz.

Grandes Beberrões da Humanidade – pt. 3

2 junho 2009

Carioca, suburbano, mulato e malandro…

Bares da Cidade

Anoiteceu
Outra vez vou sair
Sem nada a esperar
Sem ter pra onde ir
Vou caminhar por aí a cantar
Tentando acalmar as tristezas por onde eu passar

A minha vida boêmia de bar em bar
É o meu amor sem paz
Por um amor vulgar
Que me abandonou
Chorando os meus ais
Me deixando também por maldade
Saudades demais
E eu vou levando minha alma aflita
À noite a cidade é tão bonita
Do Lamas ao Capela, e da Mem de Sá
Passo no Bar Luís
E no Amarelinho é que eu vou terminar

João Nogueira era carioca, suburbano, mulato, malandro, flamenguista e, naturalmente, beberrão.

Grandes Beberrões da Humanidade – pt. 2

2 junho 2009

The Piano Has Been Drinking

The piano has been drinking, my necktie is asleep
And the combo went back to New York, the jukebox has to take a leak
And the carpet needs a haircut, and the spotlight looks like a prison break
And the telephone’s out of cigarettes, and the balcony is on the make
And the piano has been drinking, the piano has been drinking…
And the menus are all freezing, and the light man’s blind in one eye
And he can’t see out of the other
And the piano-tuner’s got a hearing aid, and he showed up with his mother
And the piano has been drinking, the piano has been drinking
As the bouncer is a Sumo wrestler cream-puff casper milktoast
And the owner is a mental midget with the I.Q. of a fence post
‘Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking…
And you can’t find your waitress with a Geiger counter
And she hates you and your friends and you just can’t get served without her
And the box-office is drooling, and the bar stools are on fire
And the newspapers were fooling, and the ash-trays have retired
‘Cause the piano has been drinking, the piano has been drinking
The piano has been drinking, not me, not me, not me, not me, not me

Tom Waits, além de galã dos motéis de beira de estrada, é também um beberrão.

Songs for a Happier Life – pt. 1

27 maio 2009

Elenore – The Turtles

Elenore, gee I think you’re swell
And you really do me well
You’re my pride and joy, et cetera

O vídeo é tão bom que relata até a primeira aparição de um “jewish nigga” na história! Reparem, aos 37 segundos, a entrada nos backing vocals de Mark Volman, e vocês vão entender o real sentido da palavra Gênio.

You Just Have to Love Me Till The Sun Shines…

23 janeiro 2009

É impressão minha, ou só agora eu reparei que o Dave Davies fez essa música pruma prostituta?

Tá, tem umas partes que não encaixam, só pra disfarçar, mas a frase “You just have to love me ‘till the sun shines”, repetida a cada verso, é bem explícita.

E todo o contexto da canção, falando que a mulher não precisa fazer nada por ele, desde que o ame até o amanhecer, que os dois são tipos desprotegidos da sociedade, bem, me parece um tanto claro.

Como se não bastasse, a música começa com os versos “You don’t have to look at me/ You don’t have to smile at me”, no meio tem o verso “Baby, you can kiss my friends” e, no refrão, tem até “Take my money, I don’t mind”.

E tudo isso em 1967. É por essas e outras que os Kinks são uma das bandas mais subestimadas da época.

Abaixo, segue a letra:

“You don’t have to look at me
You don’t have to smile at me
You just have to love me ‘til the sun shines

You don’t have to cook for me
You don’t have to laugh with me
You just have to love me ‘til the sun shines

Take my money, I don’t mind
You can be such a helpless kind
You just have to love me ‘til the sun shines

You don’t have to sleep with me
Rest your head upon my knee
You just have to love me ‘til the sun shines

Baby, you can wear my clothes
Play my records, stay in my home
Long as you just love me ‘til the sun shines

You can take it, I don’t mind
Please don’t be such a helpless kind
You just got to love me ‘til the sun shines

Baby, baby I don’t know what I’m doin’
Everything I do, it turns to ruin

Baby, you can kiss my friends
Baby, there’s nothing that I’ll end
Long as you just love me ‘til the sun shines

You don’t have to walk the streets
When there’s someone waiting here
Come on, baby, love me ‘til the sun shines

Come on, baby, I don’t mind
Two lonely people, the helpless kind
Come on, baby, love me ‘til the sun shines

You don’t have to look at me
And you don’t have to smile at me
You just have to love me ‘til the sun shines

You don’t have to cook for me
And you don’t have to laugh with me
You just have to love me ‘til the sun shines

Take my money, I don’t mind
You can be such a helpess kind
You just have to love me ‘til the sun shines”

Like a social statts…

19 janeiro 2009

O crítico da Pitchfork já escreveu: os dois highlights do novo disco do Animal Collective – já à venda nos melhores Soulseeks e Emules da internet – são, sem dúvida, My Girls e Brother Sport. (E, de quebra, deu ao Merriweather Post Pavilion a nota de 9.6, que não é pouca coisa).

O Ruy, que é um rapaz informado e bacana, já críticou o Brother Sport na Camarilha dos Quatro, e anda espalhando pelos quatro cantos que esta é a melhor música do disco.

Eu, que não sou um rapaz informado e muito menos crítico de música, fico com My Girls.

A justificativa é muito simples: basicamente, eu não consigo parar de ouvi-la. (Em parte porque eu não resista a canções pop – e não há dúvida que My Girls seja, dentro da experimentação comum da banda, uma grande canção pop – que te carreguem em um crescente de texturas, vozes, climas, num sentido de feel fine quase místico que só as grandes canções conseguem alcançar).

E, nesta segunda-feira às onze e meia da noite, ter uma música que ela, só ela, simplesmente ela, te deixa com vontade de sair da letargia do computador e ir sozinho para a Maldita, na esperança de que, às três da manhã, alguém a toque e você dance desengonçado, no canto da pista, sabendo que não existe muita coisa melhor no mundo, já explica bastante o que eu sinto ao ouvi-la em casa no fone, sem parar, balançando os braços e a cabeça incessantemente.

Para quem não ouviu, tem no myspace da banda.

E o resto é brincadeira de criança.